Archive for the ‘Textos’ Category

2010 até agora

domingo, junho 27th, 2010

Passamos da metade do ano e é hora de colocar esse post sobre 2009 para baixo da lista.

Quando o ano começou eu ainda longe de fazer as pazes comigo mesmo, mas as expectativas eram altas. Eu tinha sido aprovado no processo seletivo para entrar no mestrado da PUC-Minas, as crises de pânico estavam quase controladas e, mesmo ainda morando na casa dos meus pais no interior, eu sabia que era uma questão de pouco tempo até que a maior parte das coisas entrasse nos eixos. Saber isso não significa que  a ansiedade vai embora, mas já é um argumento a mais para controlá-la.

Voltei para a capital e voltei para a sala de aula. Dois lugares que conheço relativamente bem. Sei me locomover nesse ambientes e voltar para lugares familiares, depois de passar seis anos vagando por terras estranhas, era necessário.

Acho que o assunto aqui é segurança. Em si, no que se faz, no que é preciso ser feito. A linha que separa esse assunto do papo de livro de auto-ajuda é tênue, então paciência aí. O que estou dizendo não é “você precisa acreditar em você” ou “confie em si mesmo”, mas aprender a analisar o que você está fazendo da sua vida de forma a fazer mudanças que lhe permitem seguir vivendo de forma menos pesada, menos complicada. Vida simples, cara. Vida simples.

Aí eu lembro do Gilberto Silva, volante da seleção brasileira, que disse em entrevista a respeito do conselho que seu pai lhe deu antes do primeiro jogo do então garoto Gilberto Silva pela Arsenal, da Inglaterra: “jogue simples, filho”. Agora, aqui na TV de 14 polegadas com imagem chuviscada ao meu lado, a Alemanha está massacrando a Inglaterra. 4-1 pro alemães e ainda temos mais de dez minutos de jogo pela frente. Eu ainda nessa vibe de mudar de ares, de reaprender as regras de jogos que parei de jogar há algum tempo, e a copa do mundo entra em campo (com o perdão do trocadilho horroroso). A Alemanha joga simples, se movimenta, toca bem, tem talento, técnica, disciplina e objetividade. É um bom time, que tem capacidade de ir longe. Talvez até de levar essa copa.

Mick Jagger está assistindo o seu “english team” tomar uma sapatada. Ontem ele viu, sentado ao lado do ex-presidente americano Bill Clinton, os Estados Unidos sendo eliminados por Gana. Mick Jagger ao lado de Bill Clinton… qualquer mulher que passasse perto dali perdia a virgindade imediatamente. Ainda que já não fossem mais virgens.

Mas o que eu estava falando mesmo? Alguma coisa sobre segurança e sobre não tocar de lado, não era isso?

Sei lá. Em algum momento a linha de raciocínio (se é que existia uma) sumiu e agora eu quero saber mais de terminar de ver esse jogo. Está sendo um bom jogo.

Bom jogo pra você também.

2009 FOI UMA MERDA!

quarta-feira, dezembro 30th, 2009

O ideal seria uma longa conversa a respeito das vantagens e desvantagens que o ano de 2009 apresentou. Nessa conversa, nós falaríamos um pouco sobre política, um pouco sobre saúde, um pouco sobre dinheiro. Avaliaríamos como foi a nossa vida ao longo desses últimos 12 meses, fazendo uma comparação entre dezembro de 2008 e agora.

Mas isso aqui não é para celebrar o ideal. É para falar a verdade, e a verdade é que 2009, pra mim, foi uma merda.

Como esse espaço aqui nunca foi usado como um diário(“hoje encontrei a Má, a Lu, a Sí e a Sá e agente fomos, tipo, meio que trocar um sapato que minha tia imbecil me deu de natal e que eu detestei e que a Má, a Sí e Ju tb detestaraum…”), não vale a pena entrar em detalhes de onde ou porquês, mas foi um ano de merda e, pelo menos eu, não poderia estar mais feliz de vê-lo acabando. Vaya con Dios, 2009. Enfia uma banana de dinamite no seu cu e vaya con Dios.

Então 2010 pode ser bom. Quer dizer, 2008 tinha tudo para ser ótimo e foi terrível. Em 2009, quando eu achei que não dava para piorar mais,  piorou. Piorou muito mais! Não faço mais previsões. Que 2010 traga o que tem que trazer e tentaremos lidar com isso sem colocar o cano de uma espingarda na boca e puxar o gatilho com o dedão do pé.

Perspectivas? Sim, claro, essas existem sempre, não?

Começo uma nova fase profissional em fevereiro, com uma chance grande de mudar de vida relativamente rápido. Vou finalmente começar a minha produção de camisetas com estampas próprias e continuo criando quadrinhos regularmente. O Saca-Trapo deve ganhar uma nova cara logo também, com uma sessão separada para a HQ POLIFONIA, que produzo desde o ano passado. Em breve, eu e Glayson Ramos, estaremos publicando por aqui as nossas HQs, colunas, crônicas, reviews, contos, ilustrações, curiosidades, tutoriais, músicas, vídeos, receitas de bolo, bulas de remédios e mais algumas (várias) outras coisas. Logo teremos mais gente participando conosco do Saca-Trapo, mesmo que esporadicamente, assim como teremos atualizações mais constantes da nossa parte.

Esse papo de vai acontecer isso e vai acontecer aquilo parece promessa de campanha que, todos sabemos, é difícil de se concretizar.  O que posso dizer é que vontade de fazer não falta. Fazemos o que fazemos aqui por prazer, por alegria, por amor à coisa. E se você faz por amor, você consegue fazer para sempre.

Acho que se 2009 me ensinou algo foi isso: sobre o que faço por amor. Nos piores dias desse ano, voltar àqueles lugares que me são amados fez uma grande diferença e me mostrou que existem coisas pelas quais valem a pena viver. Coisas que não vão embora e que independem dos outros (ou de mim mesmo, para ser honesto).

Melhor parar por aqui antes desse texto ficar metafísico e metafórico demais. O que talvez já tenha acontecido desde a segunda linha lá em cima, mas, como eu disse, esse ano foi uma merda, então eu não vou esperar que o último texto a ser publicado aqui em 2009 vá salvar alguma coisa.

Que o ano novo chegue em paz e se sinta à vontade. “A casa é sua”, como se diz no interior ou “o poder é de você”, como se diz (com o perdão do singular) no desenho do Capitão Planeta.

Abraços a todos. Vejo vocês em 2010.

Leandro

Onde estamos

sábado, novembro 21st, 2009

Ainda falta um tempo para que o Saca-Trapo esteja 100% funcional com seu novo layout, mas isso não significa que eu e Glayson deixamos de participar e de dar os nossos pitacos pela rede afora.

Com isso em mente, resolvi fazer aqui uma pequena lista de onde podemos ser encontrados através da net. Ao longo do tempo, todos essas nossas “casas” on-line vão se convergir para o Saca-Trapo, de modo que visitando essa porcaria aqui vocês poderão ler nossos textos, quadrinhos, descobrir coisas interessantes do mundo virtual, aprender sobre coisas lindas (como o Sumô, por exemplo), enfim, perder um tempo precioso se divertindo com coisas muito menos interessantes do que a buceta da nova celebridade que esqueceu de usar calcinha.

Sem mais, aqui estamos:

Leandro no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=15252592345480174703&rl=t

Glayson no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?origin=is&uid=8507276977454459994

Blog do Leandro: http://www.leandrodamasceno.wordpress.com

Twitter do Glayson: @glaysonramos

Twitter do Leandro: @LDamasceno

Facebook do Glayson: http://www.facebook.com/glayson.ramos

Facebook do Leandro: http://www.facebook.com/LeandroDamasceno

Flickr do Leandro: http://www.flickr.com/photos/leandrodamasceno

Flickr do Glayson: http://www.flickr.com/photo/glayson

Eu também estou no fotolog e no Deviantart, que são mais canais de apresentação de arte, desenhos e quadrinhos.

Não usamos todos esses sites e nem postamos com alguma sombra de regularidade, mas estamos espalhados pela net e, como sífilis, quando você acha que já foi embora, a coisa volta. Logo estaremos concentrados aqui, no entanto. Esse site terá um feed para os nossos twitters e as fotos do flickr de ambos vão acabar aparecendo por aqui também. Então fiquem ligados porque logo o saca-trapos fará seu trabalho e estaremos prontos para atirar.

Abraços para todos,
Leandro

Sucesso Popular

quinta-feira, outubro 1st, 2009

Eu fui criado por professores. Meu pai hoje é advogado e minha trabalha na secretaria de educação da cidade, mas ambos foram/são professores. Isso significa que fui criado rodeado de livros. De excelentes livros, escritos pelos grandes autores da humanidade. Tenho plena consciência do quanto isso soa arrogante e já aviso que vai piorar muito antes de melhorar, mas fique comigo, por favor. Desde cedo li Hemingway, Dickens, Oscar Wilde e Bernard Shaw. Dos brasileiros, comecei por Monteiro Lobato e logo depois fui apresentado a Marcos Rey, que me acompanhou durante toda pré-adolescência. Finalmente cheguei em Luís Fernando Veríssimo, Guimarães Rosa, Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues e Paulo Leminski.

Isso quer dizer que não cresci lendo autores “populares”. Pouca gente sabe, porque hoje quando se fala em música brasileira dos anos 70 só se fala em Gil, Caetano, Chico Buarque e Mutantes. Mas o que era popular nos anos 70, o que tocava no rádio e vendia milhares de cópias, não eram os discos desses “grandes nomes da mpb”. Os que vendiam mesmo eram Waldick Soriano, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned e Benito de Paula. Nunca ouvi um disco desses caras inteiro, mas fui criado com infinitos discos de Gil, Caetano, Chico Buarque e os Mutantes.

Então você imagina qual não foi a minha surpresa quando descobri em um livro de um autor “popular”, a resposta para a pergunta que assombra a minha vida há algum tempo.

A pergunta (se é que isso interessa) é “o que fazer da minha vida?”. Acho que desde que saí da faculdade, diploma debaixo do braço e cheio de arrogância, não sei direito o que quero fazer. A arrogância foi embora e aquela certeza de que eu ia me encontrar com o meu destino mais cedo ou mais tarde, foi pro saco logo em seguida. Sobramos eu e meu diploma. Eu não entendia então, mas essas duas coisas já eram mais do que existia no começo, o que é assunto para outra hora. O que estou dizendo é que a ideia de que não restava mais nada além de mim mesmo era assustadora. Já falei excessivamente sobre medos, depressão e síndrome do pânico em outros lugares, então acho melhor não voltar a discutir esse assunto aqui. Mas sim, fui vítima de tudo isso. Passou. Bola pra frente.

Entra em cena o tal autor popular. Stephen King.

King é o autor de mais ou menos uns três milhões de livros. A metade já foi adaptada para trinta e cinco outras mídias e a outra metade está esperando para seguir o mesmo caminho. Ele é conhecido por ter escrito grandes contos de terror, mas se você procurar com cuidado, deve achar também bulas de remédio, manuais de instrução e receitas de bolo de autoria dele. O primeiro, e até agora único, livro que já li de King se chama O Pistoleiro. É o Volume I de um épico intitulado “A Torre Negra“. Em seus sete volumes, a Torre conta a história de Roland Deschain, o tal pistoleiro, e suas histórias em busca da Torre.

Acontece que não foi o livro o que me pegou. Foi o prefácio. Sim, eu sou patético desse tanto. A seguir, uma grande citação para vocês entenderem o que estou dizendo:

“Acho que escritores aparecem em duas categorias, e isso inclui o tipo de escritor frangote que eu era em 1970. Aqueles destinados ao lado mais literário ou “sério” do trabalho examinam cada possível tema à luz da pergunta: O que esse tipo de história significaria pra mim? Aquele cujo destino inclui a elaboração de livros populares estão aptos a fazer uma pergunta bem diferente: O que escrever esse tipo de história significaria para os outros? O escritor “sério” está procurando respostas e chaves para o eu; o escritor “popular” está procurando um público. Ambos os tipos são igualmente egoístas. Conheci um bom número deles, e deixo aqui meu testemunho e garantia a esse respeito”.

Então veio. Como um raio. De repente e barulhento. Veio sem aviso. O meu ka, o meu destino, me encontrou (ou eu encontrei ele, como você preferir): eu quero ser um artista “popular”. Quero que meus trabalhos cheguem às mãos do maior número possível de pessoas. Quero que todo mundo veja que “isso aqui” é legal. Seja lá o que “isso aqui” for.

Hoje, e durante um tempo ainda não determinado, esse “isso aqui” é o Saca-trapo.

Bem-vindo.

Reloaded

quinta-feira, outubro 1st, 2009

Já diria o homem mudo, que nada que parado há de se mover, mas que a inércia de todas as coisas é diferente da apatia de quem não quer…

Pois vejamos, eu devia ter vindo aqui antes, devia ter sido mais sério com isso, mas uma coisa aconteceu e esse post passou a ser uma grande responsabilidade. Agora eu postei e estou falando de admiração sincera e de como as coisas são tortas, e vice-versa, porque é recíproco.

Meu único leitor de verdade tem todo direito de me condenar, mas eu vou me redimir, meu velho! Peço desculpas pela demora e, de agora em diante, vou sugerir muitas abobrinhas bem temperadas. Porque toda vez que eu voltar no blog, vou saber que você estava esperando por uma novidade…

Te devo isso.

Mostra pra Deus esse canto de vez em quando. Quem sabe ele resolve participar da nossa festa também.

Uma lição importante

quinta-feira, outubro 1st, 2009

Toda menina aprende que se não reage, quando espertinho tira vantagem, no fim, é ela quem vai ser fodida

Eu aplaudo uma velha virgem. A antítese perfeita da brasilidade! De cara amarrada e pernas cruzadas, contra o jeitinho e a vista grossa…

Ululante

quinta-feira, outubro 1st, 2009
  • O código de barras serve pra indicar que o produto é feito em série. Você paga pela série inteira, mas só pode levar um.
  • Se as pessoas fossem menos influenciáveis, quem sabe as coisas começariam a ter preço no Master Card?
  • Achei um livro ontem. Nele, a moça dizia que queria um cara bonito, que dançasse bem e soubesse tudo de cinema. Aí ela engravida de um cara desajeitado, barrigudo, jeca e que só pensa em voto. Não consigo encontrar moral na história…
  • você sabia que se você comprar um chip de cartão e colocar 10 reais por mês, a operadora não vai conseguir roubar mais do que isso de você?
  • Última: você pode ter lucro com um celular para ajudar no seu trabalho. Basta cancelar a linha.

Contrastes

quinta-feira, outubro 1st, 2009

Alguns contrastes matam a gente. O cartunista (ou caricaturista?) Dálcio Machado é uma daqueles caras com uma pena bem afiada. Não precisou de nem meia palavra pra me fazer ter uma certeza:

Deus existe, mas é bi-polar…

E a imprensa, heim?

quinta-feira, outubro 1st, 2009

Não é de hoje que o jornalismo da Revista Veja ajuda a jogar umas pás de terra sobre algumas idéias que eu tinha sobre jornalismo. Para me formar, fiz uma monografia sobre a cobertura jornalística da palhaçada que fizeram no Iraque.

Recém-formado, eu anotei na conclusão do trabalho que as páginas de Veja pareciam um catálogo de fabricante de armas e que o sensacionalismo da revista, quase sempre, tratando de ações militares, só tinha um objetivo: vender uma guerra injusta como espetáculo e lucrar muito com isso.

De lá pra cá, a revista não fez muito pra desfazer essa minha impressão. No fim, ficou pra mim que a Veja não tinha um jornalismo isento. O tempo passou e descobri que o Nassif concorda comigo, e, mais do que isso, deu provas de que alguém de bom senso não poderia levar a Veja a sério…

Esqueçam Lula, PT, Mensalões, Tucanos e Democratas e leiam como se fosse um conto policial, onde jornalistas de má índole mostram como a imprensa pode ser perigosa.

Quem são as vítimas, não faz diferença. O importante, nessa história, é saber que o poder da imprensa pode ser usado para manipular você…

——
p.s. esse blog não vai ficar tratando desses assuntos, mas apoia qualquer debate por uma mídia menos esculhambada.

Deixa essa idéia de infinito pra lá…

quinta-feira, outubro 1st, 2009

A gente não precisa de mais que uns tantos acordes pra concluir que essa coisa de big bang é invenção de vibrações desocupadas, que, no lugar de manter a harmonia da emissão da própria onda, ficam produzindo ruído e interferência.

Essa idéia de rock n’ roll, que aparece no último ciclo, é capaz de tanta dissonância que algumas emissões mais crédulas levam a sério a conversa sobre moléculas e coisas gigantescamente absurdas que se pode fazer com elas. Esses “oceanos” são as hipóteses mais ridículas que um intervalo energético pode inventar…

Já não bastam os absurdos das oitavas mais baixas que falam sobre essa estupidez de espaço/tempo? Se essa coisa de espaço e de tempo existe, é só pra complicar! No lugar de vibrar e confirmar que vibro no ciclo paralelo, eu confirmo que “vibrei” num ciclo “passado” e não sei mais se vibro num ciclo “futuro”.

E o tal do espaço é mais besta ainda! Me obriga a ter “forma” e me faz “existir” num negócio chamado “dimensão”. O que que eu, energia vibrando, tenho a ver com essa coisa de existência? Faz alguma diferença essa coisa de “onde” e “quando” a energia existe?

Eu tenho consciência do que eu sou. Essa coisa de “vida” é pra megalomaníacos… ainda mais com essa coisa de tempo… é completamente antagônico fazer essa tal de vida ser influenciada pelo tempo! Não dá pra manter os dois funcionando juntos…

Se a gente já tem consciência, pra que inventar isso tudo?

Guarda o que eu te digo: esse negócio de universo não vai prestar…